Peão desaparecido reaparece na fronteira e polícia diz que filho de fazendeiro seria o alvo

O trabalhador rural que havia desaparecido após um ataque de um grupo armado a uma fazenda em Capitán Bado, no Departamento de Amambay, reapareceu nesta sexta-feira (20) são e salvo. De acordo com informações preliminares, Éver Silguero conseguiu escapar dos homens que o mantinham sob domínio.

A confirmação foi feita pelo diretor da Polícia de Amambay, comissário Osvaldo Lesme, em entrevista à rádio Monumental 1080 AM. Segundo ele, agentes do Departamento Antissequestro foram deslocados até a região de Pacola, onde o peão teria sido libertado ou para onde conseguiu fugir após escapar. As circunstâncias exatas ainda estão sendo esclarecidas.

“A julgar pelas circunstâncias, o caso se enquadra como privação ilegítima de liberdade e roubo agravado”, explicou o chefe policial ao detalhar a linha de investigação adotada até o momento.

Na noite da invasão à propriedade rural, investigadores registraram uma ligação feita a partir do celular da vítima. Durante o contato, teria sido exigido um resgate de US$ 150 mil ao proprietário da estância. O valor, segundo a polícia, não chegou a ser pago.

Parte das armas usadas na ação foram apreendidas. (Foto: Polícia Nacional)

A irmã de Éver relatou ainda que uma fotografia em que ele aparecia completamente amarrado foi enviada ao empregador por meio do WhatsApp, utilizando o recurso de visualização única — o que impediu que a imagem fosse salva. O envio da foto havia intensificado o clima de angústia e apreensão entre familiares e moradores da região.

A promotora Reinalda Palacios informou, com base em dados do Departamento Antissequestro, que Silguero conseguiu fugir por conta própria. Ele foi localizado em uma área próxima à Santa Rosa del Aguaray.

Após o reaparecimento, o trabalhador será submetido a exames médicos em Pedro Juan Caballero. Na sequência, deverá prestar depoimento formal às autoridades, etapa considerada fundamental para esclarecer a dinâmica do crime e identificar os envolvidos.

Alvo seria filho do proprietário

As investigações apontam que o grupo armado — possivelmente composto por quatro a cinco integrantes — teria como alvo principal o filho do dono da fazenda. No momento do ataque, ele conseguiu fugir junto com outros peões, frustrando o plano inicial dos criminosos.

O caso, que inicialmente foi tratado como sequestro, agora passa a ser investigado sob outra tipificação penal. Ainda assim, o episódio reacende o alerta sobre a atuação de grupos armados em áreas rurais da faixa de fronteira, onde a distância dos centros urbanos e a vulnerabilidade logística facilitam ações criminosas.

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