No terceiro encontro do Ciclo “Inovação Social em Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Contexto Pandêmico e Pós Pandêmico”, os participantes puderam debater os impactos da vigilância popular em saúde no espaço rural.

A atividade, em formato de interação virtual, contou com palestra do professor Alexandre Dias, da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), que destacou a necessidade de envolvimento de diversas pessoas em um processo de “educação permanente” em prevenção e promoção de Saúde.

“Não é uma campanha, é um trabalho de educação que tem que ser permanente para a organização comunitária, para prevenir diversas doenças e para uma produção agrícola saudável.

Vocês, agentes de Saúde, profissionais de assistência técnica e extensão rural têm que assumir o papel de educadores neste processo”, afirmou o professor ao se dirigir para os participantes do Encontro, organizado por Embrapa e Fiocruz para um público-alvo de agricultores, extensionistas e agentes comunitários de Saúde dos territórios do programa InovaSocial (Embrapa/BNDES/Fundação Eliseu Alves).

Alexandre chamou atenção para as realidades dos territórios, em que agricultores e outros públicos devem ter consciência dos riscos de contaminação pela Covid-19 existentes em práticas do cotidiano, como o uso de ferramentas de trabalho por mais de uma pessoa; compartilhamento de copos e xícaras; manuseio de dinheiro e produtos alimentícios.

“É uma pedagogia do cuidado que precisamos exercer, mas quando as pessoas entendem, elas concluem que sua saúde protege a saúde dos outros”, frisou ele.

Para o professor, é fundamental, em um trabalho de vigilância popular em Saúde, conhecer processos, trabalho e meio de vida nos territórios.

“Para prevenção contra Covid-19, o agricultor precisa lavar as mãos, mas temos que verificar: ele dispõe de sabão? A água de beber é clorada? Se não for, recomenda-se duas barreiras sanitárias: o filtro de barro e o cloro. Temos que analisar sempre os manejos.

O mesmo alimento que ajuda na imunidade pode transmitir a doença”, ressaltou Alexandre.

De acordo com Alexandre, pensar em práticas de trabalho e comercialização no contexto de pandemia são importantes para a preservação de vidas.

“Os circuitos curtos de comercialização, por exemplo, são muito importantes: faz com que se evite ir a supermercados, onde há maior concentração de pessoas. Entender esses fluxos é fundamental”, disse ele.

Uma das participantes do Encontro, a profissional de extensão rural e bolsista da Fiocruz Marialda Silva, também defendeu a integração entre agentes comunitários de Saúde e extensionistas como uma possibilidade de fortalecimento da vigilância popular em Saúde.

Para ela, esta integração trará dados mais robustos sobre a realidade sanitária dos territórios e melhor informação a agricultores. “Os agentes de Saúde podem trazer informações sobre alimentos saudáveis às famílias do campo, por exemplo”, disse ela.

Para a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (Seropédica-RJ) e coordenadora do projeto de Governança e Gestão do InovaSocial, Cristhiane Amâncio, o debate da quinta-feira traz reflexões sobre “o reconhecimento dos distintos papéis e competências das instituições na vigilância em Saúde”.

Na quinta-feira, 5 de novembro, o Ciclo terá seu último Encontro, no qual serão discutidas orientações para a segurança nas atividades de campo nos territórios do InovaSocial e mecanismos para maior integração entre extensionistas, agentes de Saúde e agricultores.