Os investimentos do Governo do Estado e do setor privado na implantação de um novo modal de transporte em Porto Murtinho, extremo sudoeste de Mato Grosso do Sul, está atraindo outros nichos de mercado com as perspectivas de reduzir distâncias, custos e embaraços aduaneiros exportando pela Hidrovia do Rio Paraguai e pelo futuro Corredor Bioceânico.

A necessidade do Paraguai de importar cimento, devido ao colapso na produção interna com o volume de obras de infraestrutura em andamento, criou um novo momento para o mercado brasileiro, com expectativa de exportação de nove milhões de toneladas do produto para o vizinho país em cinco anos. Um negócio que coloca Porto Murtinho no centro das atenções.

Um consórcio logístico está sendo criado para atender os paraguaios, a partir da indústria Ceplan, uma das maiores fábricas de cimento do Brasil, com sede em Sobradinho, no Distrito Federal. Os contratos de longo prazo estão sendo finalizados e o volume a ser exportado será direcionado para Porto Murtinho, grande parte pelos terminais hidroviários.

Cimento para grandes obras

O consórcio é integrado pela CTA – Cooperativa de Transporte Logística e Agronegócios -, com sede em Antonina (PR), e a BGC, empresa de transportes de cargas situada em Campo Grande. Diretores das duas empresas estiveram em Murtinho para conhecer a logística local e definir uma estrutura operacional, que ficará a cargo de Fermiano Yarzon, ex-superintendente da Ahipar (Administração da Hidrovia do Paraguai).

O cimento a ser fornecido pela Ceplan atenderá a quatro obras estruturantes no Paraguai: construção das pontes entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e de Chacoi (próximo à Assunção) e também a pavimentação da Ruta PY-15, a Rodovia Bioceânica, entre as fronteiras do Paraguai com Mato Grosso do Sul e Argentina. A quarta obra é uma ponte em Coronel Oviedo, fronteira com o Paraná.

“Estamos em levantamento de campo”, afirma o empresário Voltaire Peretto, das CTA, durante visita a Porto Murtinho, onde iniciou tratativas com operadores da hidrovia para exportar, inicialmente, 35 mil toneladas de cimento para a ponte de Chacoi, distante 700 km pelo Rio Paraguai. “Vamos atender deficiências de produção do Paraguai com menor custo de logística e fluidez”, disse.

Murtinho tem modal eficiente

Ao citar os gargalos de transporte no Brasil, desde origem e entrega, Peretto aponta Porto Murtinho como a melhor alternativa para exportar para os vizinhos países. Ele lembrou os problemas aduaneiros nos portos do Paraná e a fila de caminhões parados na fronteira do Estado com o Paraguai, entre Mundo Novo e Salto del Guairá, ao longo de seis quilômetros.

“Murtinho sai na frente, tem modais eficientes e capacidade operacional ágil, sem embaraços aduaneiros”, aponta o empresário. “Murtinho é estratégico, o olhar portuário no Brasil vai mudar para Mato Grosso do Sul”, completa Peretto, que visitou o município na companhia dos empresários Moisés da Costa Alves e Júlio Cezar Fernandes, da BGC Transportes.

Empresários do setor de logística para o cimento apostam no crescimento do setor.(Foto: Silvio Andrade)