Operação Cartas Marcadas cumpri 76 ordens judiciais em seis municípios

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a Operação Cartas Marcadas, que resultou no cumprimento de 76 ordens judiciais em seis municípios do Estado. As medidas foram executadas em Aquidauana, Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos, por determinação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Ao todo, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de afastamento de cargos públicos, 22 ordens de proibição de contratar com o Poder Público e três mandados de suspensão de contratos administrativos vigentes. A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, voltada à prática de crimes contra a administração pública, com atuação concentrada principalmente nos municípios de Corguinho e Rio Negro. Segundo o MPMS, o grupo era liderado por agentes políticos, responsáveis por articular e comandar o esquema fraudulento.

De acordo com o apurado, a organização utilizava servidores públicos corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações, direcionando contratações públicas a empresas previamente escolhidas. As fraudes iam desde dispensas indevidamente manipuladas para aquisição de materiais de expediente até a contratação de empresas para execução de obras públicas, algumas iniciadas antes mesmo da formalização dos contratos. Apenas nos últimos três anos, os contratos sob investigação somam cerca de R$ 9 milhões.

O avanço das apurações foi possível a partir da análise de provas obtidas em operações anteriores, como Turn Off e Malebolge, especialmente conteúdos extraídos de aparelhos celulares apreendidos e compartilhados mediante autorização judicial. Esse material revelou o modus operandi do grupo e permitiu identificar os agentes políticos que comandavam o esquema.

O nome da operação, “Cartas Marcadas”, faz referência a um jogo previamente manipulado, em que o resultado já é conhecido. Segundo o MPMS, a expressão simboliza a prática de licitações direcionadas, realizadas apenas para conferir aparência de legalidade a decisões previamente acertadas entre os envolvidos.

As investigações seguem em andamento, e novas medidas não estão descartadas.

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