O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul acende um novo alerta em 2026. De acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (25) pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), o Estado já soma 3.058 casos prováveis da doença, sendo 1.452 confirmações.
Os números mais recentes indicam uma mudança no epicentro da transmissão. Fátima do Sul passou a liderar o ranking estadual de casos confirmados, ultrapassando Dourados, que até então concentrava a maior parte das ocorrências.
Segundo o levantamento, Fátima do Sul registra 477 casos confirmados, enquanto Dourados contabiliza 368. Na sequência aparecem Jardim, com 209 confirmações, e Sete Quedas, com 85. Bonito soma 52 casos e também registra a primeira morte confirmada no boletim mais recente.
Outros municípios com registros da doença são Aquidauana (42 casos), Vicentina (29), Guia Lopes da Laguna (24), Corumbá (14), Nioaque (12), Itaporã (9), além de Maracaju e Três Lagoas, com oito casos cada. Campo Grande aparece com apenas um caso confirmado.
Além do número absoluto, Fátima do Sul também lidera em incidência proporcional, com 2.353,3 casos por 100 mil habitantes — índice considerado elevado pelas autoridades sanitárias.
Até então, Dourados reunia a maior parte das confirmações, principalmente na Reserva Indígena, nas aldeias Jaguapiru e Bororó. A região permanece como área crítica, porém os dados mostram que a transmissão já se espalha para outros municípios do Estado, atingindo cidades de diferentes portes.
Mesmo deixando de ocupar a primeira posição em número de casos, Dourados ainda enfrenta forte pressão no sistema de saúde. No município, 27 pessoas estavam internadas com diagnóstico confirmado da doença. Em levantamento mais recente da vigilância epidemiológica municipal, esse número chegou a 37 pacientes distribuídos entre hospitais públicos e privados.
A expansão da chikungunya também já é observada em bairros fora da reserva indígena, como o Jardim Jóquei Clube e o Parque do Lago II, evidenciando a disseminação dentro da área urbana.
Mortes confirmadas
O Estado contabiliza cinco mortes por chikungunya em 2026, conforme os dados consolidados no boletim.
Entre as vítimas estão dois bebês indígenas. O caso mais recente é de uma criança de um mês de idade, moradora da Aldeia Jaguapiru, em Dourados, que apresentou sintomas no dia 17 de março e morreu no dia 24, após internação hospitalar. Outro bebê, de três meses, faleceu no dia 10 de março, poucos dias após o início dos sintomas.
As demais vítimas são idosos: uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos e outra mulher de 60 anos. Também foi registrada uma morte em Bonito, de um homem de 72 anos, conforme o boletim estadual.
