Preços da alface, batata, cebola e do tomate sobem no atacado, diz Conab

Os preços da alface, da batata, da cebola e do tomate registraram movimento preponderante de alta no atacado, em fevereiro. Em contrapartida, a cenoura, destaque de alta em janeiro, apresentou tendência de baixa nas cotações no mês passado, mostra o 3º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quarta-feira (20).

A pesquisa da Conab considera as cinco hortaliças (batata, cenoura, cebola, tomate e alface) com maior representatividade na comercialização nas principais Ceasas do país e que registram maior destaque no cálculo do índice de inflação oficial (IPCA).

Segundo a Conab, as altas temperaturas registradas em importantes regiões produtoras de tomate, assim como as chuvas ocorridas em áreas de plantio de cebola influenciaram na oferta dos produtos nos principais mercados atacadistas, o que levou a um aumento nos preços de comercialização no último mês.

No caso do tomate, o calor em janeiro acelerou a maturação do fruto, fazendo com que a oferta aumentasse no primeiro mês do ano.

“Por consequência, houve uma menor disponibilidade do produto em ponto de colheita em fevereiro, indicando um esgotamento da safra de verão, que costuma ser substituída pela safra de inverno somente em março/abril”, disse a Conab no boletim.

Para a cebola, a recente trajetória ascendente dos preços “é provocadA por uma redução na oferta, de 4,4% em relação a janeiro, por uma melhora na qualidade do bulbo no mercado, inclusive da cebola importada, que puxa a média dos preços para cima e, também, da concentração da oferta no sul do País, notadamente em Santa Catarina”, explicou a Conab.

Já no caso da batata, os preços subiram, mas com menor intensidade se comparado com janeiro deste ano e dezembro de 2023. Esse arrefecimento da alta é justificado pela maior oferta do tubérculo.

Vale destacar que o clima atrasou o plantio do produto e com isso a entrada da safra das águas com maior intensidade tende a ocorrer de forma mais tardia. No início deste mês, pondera a Conab, os preços na maioria das Ceasas analisadas, apresenta comportamento descendente, um indício de que a safra das águas tem seu ritmo de colheita acelerado, aumentando a disponibilidade do tubérculo nos mercados.

O levantamento ainda mostra que a cenoura, em compensação, registrou queda nas cotações. O aumento no volume de raiz ofertada nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) analisadas é um dos fatores que explicam a redução, disse a estatal. Com a intensificação da colheita nos principais Estados produtores, pode-se deduzir que o deslocamento do produto foi menor, reduzindo custos.

Frutas

Para as frutas analisadas pela Conab (também de maior peso no IPCA), a maior alta ficou para a banana, com uma elevação na média ponderada de 20,41%. Ventanias e tempestades prejudicaram os bananais da variedade nanica nas principais regiões produtoras, do norte catarinense ao Vale do Ribeira (SP) reduzindo a oferta da fruta. Já a disponibilidade da prata é prejudicada pela entressafra pela qual passa a produção.

Para o mercado de laranja, fevereiro foi caracterizado pela elevação das cotações e oscilação da comercialização, com continuidade da escassez da fruta nos pomares, justificou a Conab. Mesmo com a desaceleração dos pedidos da indústria, a colheita de laranja para o atacado e varejo continuou baixa, pressionando ainda mais as cotações, além da boa demanda em virtude do calor.

Conforme a Conab, cenário semelhante foi verificado para a maçã, com instabilidade nas vendas e alta nos preços. A colheita da variedade gala foi intensificada no mês, em meio a dificuldades, em alguns momentos, com chuvas nas regiões dos pomares, o que atrasou as atividades.

Já para a variedade fuji a colheita deve ser iniciada na segunda quinzena de março. “Em março e abril espera-se que aumente a disponibilidade de frutas já classificadas e, tanto da variedade fuji quanto gala e, assim, ocorra suave queda de preços em algumas centrais de abastecimento”, estima a estatal.

Em contrapartida, mamão e melancia tiveram movimento de queda nos preços em fevereiro. Para o mamão, a demanda esteve fraca e a oferta aumentou bastante na primeira quinzena de fevereiro. Essa maior disponibilidade pode ser explicada pelas as chuvas no sul baiano e norte capixaba, aliado ao calor na região, o que pode ter acelerado o amadurecimento da fruta. Já no pós-carnaval, a oferta diminuiu gradualmente, assim como a demanda melhorou levemente.

A melancia registrou movimentos diferentes ao longo do mês passado. Na primeira parte de fevereiro, a colheita foi mais contida nas praças gaúchas, pois o calor causou perda de qualidade e queimadura nas cascas, aumentando a necessidade de irrigação e, assim, implicando elevação dos custos de produção. Já na segunda parte do mês as chuvas voltaram, auxiliando no desenvolvimento das frutas e aumentando a oferta.

Canal Rural*

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