Carlos Andrighetto vira fenômeno do karatê e leva MS ao topo do Brasil

Willams Araújo

A nova geração do karatê brasileiro já tem um nome que começa a ecoar com força dentro e fora dos tatames: Carlos Andrighetto. Aos 17 anos, o atleta de Campo Grande (MS) acumula um feito que poucos conseguem alcançar tão cedo — é tetracampeão brasileiro e presença constante entre os principais nomes da modalidade no país.

A trajetória do jovem atleta impressiona pelos títulos e pela precocidade.

Ele iniciou no karatê ainda na infância, com apenas três anos de idade, e rapidamente chamou atenção pela disciplina e intensidade nos treinamentos.

Sob orientação do sensei Arani, que o acompanha desde o início, o jovem passou a integrar uma equipe de alto rendimento ainda criança, convivendo com campeões nacionais e internacionais — um ambiente que ajudou a moldar sua mentalidade competitiva.

O primeiro grande marco da carreira veio em 2023, quando conquistou seu primeiro título brasileiro.

“O campeonato brasileiro de 2023 foi a primeira vez que fui campeão. Foi um grande prazer trazer esse título para o nosso estado e marcou muito a minha carreira. Desde aquele dia, meu nome no mundo do karatê só cresce cada vez mais”, destacou.

Mas o caminho até o topo exige mais do que talento. A rotina é intensa e marcada por disciplina rigorosa. “Meus maiores desafios foram entender que a rotina de um campeão depende 100% de foco e disciplina, fora os dias que você acorda e pensa: ‘será que posso faltar hoje, estou cansado’ e, mesmo com esses pensamentos, erguer a cabeça e focar no objetivo”, disse.

Suporte da família 

Nos bastidores, o suporte familiar é um dos pilares dessa caminhada. Apesar dos resultados expressivos dentro dos tatames, a realidade do esporte ainda impõe obstáculos fora deles, especialmente quando o assunto são custos com viagens, inscrições e estrutura para competir em alto nível.

Nem sempre o apoio institucional é suficiente para garantir presença em todas as competições — cenário que exige esforço direto da família. É também desse núcleo que vem a motivação diária do atleta, que entra no tatame carregando não só o próprio sonho, mas o desejo de dar orgulho aos pais e honrar a memória do avô.

“Tenho apoio do Estado de Mato Grosso do Sul, com o Bolsa Atleta, porém nem sempre consigo apoio para as viagens, então meu pai ajuda bancando”, revelou. 

Dentro do tatame, a preparação vai além da técnica. O trabalho com o sensei Arani, segundo ele, envolve também o fortalecimento físico e o preparo psicológico — aspectos fundamentais para quem compete em alto nível. Essa combinação é o que permite ao atleta manter a consistência e lidar com a pressão das competições nacionais.

Inspirado por ícones como Ayrton Senna, pela dedicação, e Kaká, pela calma e espiritualidade, Carlos constrói sua própria identidade no esporte: um competidor disciplinado, focado e com forte base emocional.

Open de Las Vegas  

O futuro já começa a bater à porta. Como primeiro reserva da seleção brasileira há três anos, ele mira voos mais altos. Entre os principais objetivos estão a consolidação na equipe principal do Brasil, a disputa de competições internacionais e, especialmente, a participação no tradicional Open de Las Vegas — um dos torneios mais prestigiados do karatê mundial.

Fora dos tatames, Carlos revela um perfil simples e conectado às suas raízes. Apaixonado por pesca e cavalos, estudante de Direito e frequentador assíduo de missas aos domingos, ele equilibra a rotina esportiva com valores familiares e pessoais.

Com talento, disciplina e ambição, Carlos Andrighetto vai além da coleção de títulos — constrói, desde cedo, uma carreira capaz de levar o nome de Mato Grosso do Sul ao cenário internacional do karatê.

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