Trilha da Bodoquena movimentou o esporte e o turismo no final de semana

Silvio de Andrade

A quarta edição da Corrida de Trilha Serra da Bodoquena, realizada no dia 18 de setembro na cidade serrana de Bodoquena (260 km de Campo Grande), região sudoeste de Mato Grosso do Sul, não consolidou apenas um megaevento que já ganhou o calendário nacional e cada vez atrai mais competidores e amantes de natureza de todo o Brasil.

O desafio de vencer os obstáculos da Serra da Bodoquena é um produto que projeta a imagem do Estado como destino de ecoturismo e envolve toda a cadeia do turismo, lotando a ainda incipiente rede de hotelaria da pequena cidade, incluindo áreas de camping e balneários que operam com day-use. Mais de 1.100 pessoas, entre atletas, familiares e o staff da organização, passaram três dias consumindo e curtindo a natureza em Bodoquena.

“Todos os equipamentos lotaram, se alguém ficou de fora é porque não se preparou. Todos tiveram a oportunidade de se beneficiar. A cadeia local do turismo tem que se preparar, o evento agrega um valor imensurável, dá visibilidade ao destino e envolve toda a comunidade”, avalia Carlos Adalberto Porto, coordenador da prova.Megaestrutura foi montada no Refúgio Canaã para a realização da prova, que ganha projeção nacional. Foto: Breno Teixeira

A permanência das pessoas envolvidas no evento, de quinta-feira a domingo, é uma estratégia dos organizadores para que desfrutem das belezas da Serra da Bodoquena, beneficiando assim os atrativos da cidade. Porto explica que um dos motivadores é a realização de um luau após o dia de competição, no centro da grande tenda da organização, para celebrar a prova. Este ano, a atração foi o músico Kalu, de Bonito. “Foi uma noite inesquecível”, garante ele.

A prova foi pensada de forma a tornar também uma prática saudável, apesar dos limites que impunha. Além de todo o cuidado com as questões que envolvem a biossegurança, os atletas paticipantes dos percursos maiores tiveram todo o suporte alimentar e hidratação. Carlos Porto conta que foram colocados vários pontos de alimentação à base de rapadura, jujuba, paçoca e batata palha, além de água, elaborada pelo diretor de prova, o multicampeão Marcelo Sinoca.

A cara de Bodoquena

Para o secretário de Turismo, Cultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico xe Bodoquena, Hélio Ferreira, o megaevento de esporte radical hoje é a cara de Bodoquena pela sua pegada ambiental muito forte, inserido em um assentamento rural com vários atrativos de ecoturismo no entorno da serra e do Rio Salobra.

“É uma corrida que está permanente, em constante contato com a natureza, passando pela RPPN Boca da Onça e adentrando a morraria onde os atletas se deparam com cachoeiras, cânions, nascentes e uma rica fauna. É uma sinergia entre o homem e o meio ambiente, onde o maior troféu que os atletas estão levando é essa convivência com o que temos de mais belo”, descreve.Menino com a mãe se diverte com a água jorrando, iniciativa do dono de um balneário para amenizar o forte calor

Hélio Ferreira disse que a prefeitura de Bodoquena vai ampliar em 2022 sua participação na competição, inclusive financeiramente, porque é um evento que beneficia toda a cidade, fortalece a economia local, gera renda e envolve a comunidade, composta por pessoas acolhedoras.

“Favorece a cadeia completa do turismo, todos os serviços se beneficiaram. Foram comercializados, por exemplo, mais de mil litros de água mineral”, relata.

O mergulho do campeão

A Trail Run Serra da Bodoquena é realizada a partir do Refúgio Canaã, um dos principais atrativos da região, distante 20 km do centro urbano. Este ano, cumprindo rigorosamente os protocolos de biossegurança, a largada das provas, obedecendo distâncias e categorias, ocorreu com intervalos e distanciamentos.João Luiz: ritmo forte para vencer a maratona. Foto: Foco Radical

O ponto de largada e chegada fica na beira do cênico Rio Salobra, um dos mananciais mais preservados da serra. Os atletas margeiam esse rio por vários quilômetros, passando por trilhas estreitas, com terreno irregular e muita pedra. Em determinado trecho, cruzam o Salobra, cujas águas estão baixas este ano devido a seca.

A prova de 7 km (trekking) teve a participação inclusive de crianças, geralmente filhos dos competidores inscritos (foram 304, de vários estados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás). Foram seis categorias – dos 18 anos aos mais de 70 –, incluindo ainda as distâncias de 12 km, 21 km e 30 km, esta a grande novidade da quarta edição.Percurso teve alto grau de dificuldades em meio à natureza. Atletas conviveram com pássaros, macacos e lindas quedas de água

Vencedor da maratona (30 km), o mineiro João Luiz da Silva, 22, ficou extasiado com as belezas da Serra da Bodoquena. Atleta da seleção brasileira de skyrunning, ele chegou em primeiro com uma hora de vantagem sobre o segundo colocado, impondo um ritmo forte, porém perdendo alguns preciosos segundos ao não resistir a um mergulho no Salobra.

“Cara, foi emocionante ver os cardumes de Piraputangas e curimbas. A prova exige o máximo de você, com altimetria elevada, diferente das provas que já participei, mas, ao mesmo tempo, você se sente bem naquele paraíso e vai no limite”, conta João Luiz, que finalizou a prova exausto e foi direto para a tenda de massagens.

“O calor (38 graus) foi insuportável, na minha cidade (Passo Quatro) chega no máximo a 25 graus. Mas o percurso compensou tudo, é muito lindo esse lugar. Me sinto compensado, é um desafio que quero voltar a enfrentar”, completa.

A Corrida de Trilha Serra da Bodoquena tem o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação de Turismo (Fundtur-MS) e Fundação de Esportes (Fundesporte).

Pax Primavera
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