Bernal diz em depoimento que não queria matar fiscal e o chama de “cobra mandada”

Segundo reportagem publicado pelo site Campo Grande News nesta terça-feira (24/3), o ex-prefeito Alcides Bernal afirmou, em depoimento à PC (Polícia Civil), que não teve a intenção de matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, mas alegou que reagiu a uma suposta invasão no imóvel onde mora e mantém escritório, localizado no Jardim dos Estados. Ele ainda chamou a vítima de “cobra criada”

A investigação apontou que Mazzini havia ido ao local com uma notificação extrajudicial de desocupação do imóvel, arrematado em leilão, acompanhado de um chaveiro.

Acompanhado dos advogados Oswaldo Meza e Walquíria Menezes, o ex-prefeito da Capital afirma que há disputa judicial envolvendo o leilão do imóvel e questiona a forma como a vítima tentou assumir a posse. “Quem arremata tem que buscar a Justiça. Não pode invadir, arrombar portão, porta e entrar. Eu não fui intimado do leilão nem da execução. Entrei com ação para anular isso”, disse.

O documento citado é uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro de 2026, que estabelecia prazo de 30 dias para desocupação “voluntária” do imóvel, já expirado. O texto não tem força de ordem judicial de despejo, ou seja, não autoriza retirada forçada.

O autor também levantou suspeitas sobre a motivação da presença do fiscal no local. “Ele não é ignorante. É cobra mandada. Uma pessoa que compra várias casas não faz isso por acaso. Pelo que eu soube, ele era fiscal, então sabia como funcionava”, afirmou.

Aviso da empresa de monitoramento

Ainda de acordo com o divulgado pelo portal da Capital, Bernal afirmou que recebeu aviso de uma empresa de monitoramento sobre o arrombamento e, por isso, decidiu ir até o local por conta própria. Chegando lá, segundo a versão apresentada por ele, havia mais de uma pessoa no imóvel.

“Vi três pessoas. Duas estavam forçando a porta. Um deles veio na minha direção e avançou. Eu me senti ameaçado. Eu dei um tiro e depois outro, mas para acertar no chão ou na perna. Não foi para matar. Para mim, eu tinha acertado a perna. Ele caiu e tentou levantar”, declarou.

O ex-prefeito também disse que não conhecia a vítima e que associou a presença dela a episódios anteriores no mesmo imóvel. “Eu nunca vi essa pessoa. Já registrei outras ocorrências por arrombamento e invasão nessa casa. Para mim, era mais uma situação dessas”, declarou.

O caso segue em investigação e a PC (Polícia Civil) deve analisar imagens de câmeras de segurança da residência para esclarecer a dinâmica. Bernal permanece preso e deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (25/3).

“Se defendeu da pior forma possível”, diz advogado de Bernal

A defesa de Alcides Bernal, representada pelo advogado Wilton Acosta, sustenta que Bernal agiu em legítima defesa e afirma que ele foi previamente alertado por uma empresa de segurança sobre uma possível invasão.

“Ele foi alertado pela segurança, foi até sua casa e encontrou as pessoas arrombando. Foi xingado, maltratado e, nesse nervosismo, infelizmente se defendeu da pior maneira possível”, declarou o advogado.

Por ser advogado, Bernal deve ser encaminhado a uma sala de Estado Maior, espaço destinado a profissionais da advocacia em situação de prisão, onde aguardará a audiência de custódia e as próximas decisões da Justiça.

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