Caso Trad: Delegada não fala em números, mas diz que mais mulheres o denunciaram por assédio

O caso do ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao Governo do Estado, Marquinhos Trad tem um novo capítulo. Na manhã desta terça-feira (26), durante coletiva de imprensa na DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil), na Capital, a delegada Maíra Pacheco, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) que comanda as investigações de supostos assédios, disse que mais mulheres procuraram a polícia para denunciar o político.

Também participaram da coletiva o delegado-geral, Roberto Gurgel e o delegado Edilson dos Santos, do Departamento de Polícia Especializada.

Segundo reportagem publicada pelo Midiamax, a PC (Polícia Civil) informou que vai investigar se as mulheres teriam sido pagas para registrar as denúncias contra o ex-prefeito de Campo Grande.

Segundo Maíra, a informação sobre o suposto pagamento feito às mulheres para registrarem denúncias não consta no inquérito, mas tudo será investigado e caso seja provado o fato, elas podem responder por falso testemunho, com pena de dois a quatro anos, além de multa.

“Mas, não diminui outras denúncias das outras vítimas que procuraram a delegacia”, disse Maíra Pacheco, que complementou: “Crimes como esse a única materialidade são os relatos das vítimas. Temos de ter respeito em um país patriarcal”, falou a delegada.

Sem mencionar números, a delegada também disse que após o caso sair na imprensa, mais vítimas procuraram a delegacia, já que estão se sentindo mais seguras. Ela afirmou que o número de denúncias aumentou, mas não revelou quantas mulheres já teriam procurado a delegacia.

Maíra explicou que outras pessoas estão sendo investigadas, mas não revelou por quais crimes e nem a quantidade de suspeitos. O inquérito deve ser concluído em 30 dias. Não existe ainda previsão de quando Marquinhos Trad deve ser ouvido.

A delegada ainda enfatizou que não necessariamente as mulheres que queiram fazer denúncias precisem ir à delegacia. Elas podem entrar em contato pelo canal direto da Deam (67) 99324-4898.

Secretário mandou mensagens para Marquinhos

Já sobre supostas mensagens enviadas pelo secretário estadual de segurança pública, Carlos Videira, a Marquinhos Trad, em que Videira faria ameaças de divulgar casos de assédio contra o ex-prefeito, a Polícia Civil afirma que se houver denúncia será investigado.

“Se chegar para nós e ter uma formalização, vamos tocar do mesmo jeito, se for da nossa atribuição. Se tiver qualquer situação de A ou B que seja. Se for da nossa competência nós vamos investigar”, disse O Delegado-Geral, Roberto Gurgel.

‘Eu errei, mas não cometi crime algum’

Procurado pela reportagem, Marquinhos Trad alega que tudo faria parte de uma ‘armação política daqueles que não querem largar o poder’ para prejudicar a candidatura dele a menos de 3 meses das eleições.

No entanto, confrontado com detalhes dos relatos de uma das mulheres, que relatou um caso extraconjugal e diz ter feito sexo consensual com o então prefeito, Marquinhos Trad admitiu ao Jornal Midiamax que cometeu adultério enquanto estava na Prefeitura de Campo Grande.

“Eu errei, mas não cometi crime algum. Devo a Deus, à minha esposa e às minhas filhas. Eu reuni toda minha família e confessei”, disse o pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, após confessar a traição, foi perdoado pela esposa e pelas filhas.

Além da mulher com quem Marquinhos Trad confessou ter tido um relacionamento fora do casamento, mais três procuraram a polícia e figuram como vítimas.

Cargo comissionado e declarações de amor

A primeira mulher a procurar a delegacia relatou que se envolveu emocionalmente com o ex-prefeito e que ele dizia a ela que a amava e queria ficar com ela. Ainda teria dito que queria ter um filho com a vítima.

Tudo teria começado em 2020, quando ela conheceu outra mulher que lhe ofereceu uma oportunidade de trabalho. A vítima, que terá a identidade preservada, contou que ganharia um cargo comissionado em um orgão público municipal. Mas, para isso, tinha que conversar pessoalmente com Marquinhos Trad, então prefeito de Campo Grande.

Ainda segundo os relatos, ela pegou o contato do prefeito e marcou às 8 horas, no gabinete, no dia 12 de maio de 2020. Era o começo da pandemia mundial de covid-19 e, neste dia, 17 pessoas já haviam morrido da doença em Mato Grosso do Sul.

No Paço Municipal, no entanto, segundo a versão da mulher, o clima era de romance e o prefeito teria até feito truques de mágica para agradar a convidada. De acordo com ela, a conversa teria sido pessoal e quase não teriam falado de trabalho. Depois, o prefeito teria tentado beijar a vítima, que recusou.

De acordo com o depoimento, ela teria saído pelo plenarinho e passou a receber mensagens de Marquinhos Trad, dizendo que tinha saudades e queria vê-la novamente. Foi então que a vítima passou a frequentar o gabinete. “Uma vez por semana na expectativa de ser contratada, mas só tratava de assuntos de cunho sexual”.

Ela então confirmou que se envolveu emocionalmente e garante que teria passado a manter relações sexuais com o prefeito, sempre com consentimento, no banheiro do gabinete da Prefeitura.

Sexo consentido é quando às duas partes aceitam participar.

Sexo sem camisinha 

A vítima relatou que pedia o uso de preservativo, mas que o então prefeito dizia para ela confiar, porque queria ter um filho com ela. Em agosto de 2020, conforme apurado pelo Midiamax, ela foi nomeada em cargo de auxiliar administrativo e financeiro, com salário de R$ 1,4 mil.

No entanto, não chegou a trabalhar nem receber pelo cargo, conforme contou à polícia. Já em 2021, foi transferida para outro cargo e, mesmo assim, não trabalhava presencialmente, apenas assinava a folha de ponto. Ela contou no depoimento que as relações com o então prefeito diminuíram, quando ele passou a segui-la nas redes sociais, pedindo que apresentasse algumas amigas.

Em determinado momento, Marquinhos Trad teria pedido que a vítima fosse ao gabinete, onde ela foi apresentada a um homem, um empresário. Naquele dia, ela conta que se sentiu humilhada e constrangida, pois teria sido “vendida” e tanto o então prefeito quanto o empresário só falavam sobre o corpo dela.

Em junho deste ano, ela ainda contou que esteve com Marquinhos no comitê, para pedir um emprego fixo, quando ele teria tentado beijá-la a força, mas ela se negou. Assim, aceitou outra proposta de emprego e passou a receber ligações de pessoas ligadas ao pré-candidato, questionando porque ela não queria mais trabalhar lá.

“Se sente humilhada e usada. Está com seu estado emocional e psicológico abalado e hoje percebe que sofreu assédio sexual”, consta no termo de depoimento. A vítima ainda relatou que se sente coagida pela influência do político e que tomou conhecimento por um funcionário da Prefeitura de Campo Grande que outras mulheres já passaram pela mesma situação.

Em um caso, uma das vítimas teria procurado a Deam, onde funcionários da prefeitura compareceram e entraram em um acordo financeiro com a mulher, que não prosseguiu com a denúncia.

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