Homem é preso pela 58ª vez em Dourados após furto em farmácia

O ciclo de prisões e solturas em Dourados ganhou mais um capítulo neste sábado (14). Lucas Matheus Santos de Carvalho, de 27 anos, conhecido pelo apelido de “Microfone”, foi detido pela 58ª vez, segundo registros policiais. A nova prisão ocorreu por volta das 19h30, após furto em uma farmácia na região central da cidade.

De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi localizado no interior do estabelecimento comercial com R$ 87,20 em dinheiro, valor que teria sido subtraído do caixa. Ele foi encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde foi autuado em flagrante por furto.

Morador do Jardim Itália, “Microfone” já é figura conhecida das forças de segurança locais. O que mais chama a atenção das autoridades é a frequência com que ele é detido e, em seguida, colocado novamente em liberdade por decisões judiciais.

Histórico recente de prisões

O histórico mais recente reforça o cenário de reincidência. No dia 30 de janeiro, ele foi preso por furto em uma loja na Rua Cuiabá, sendo liberado no dia seguinte após audiência de custódia. Poucos dias depois, em 5 de fevereiro, voltou a ser capturado sob acusação de praticar diversos furtos na área central.

Após essa última prisão, a soltura foi determinada pelo juiz Marcel Goulart Vieira, que entendeu ser desnecessária a realização de audiência de custódia no caso específico. A decisão, diante do elevado número de reincidências, reacendeu discussões sobre os critérios adotados para concessão de liberdade provisória e os impactos na segurança pública.

O caso expõe um dilema que vai além de um único indivíduo. De um lado, está o princípio da presunção de inocência e as garantias legais asseguradas pela Constituição. De outro, a sensação de impunidade que cresce entre comerciantes e moradores, especialmente na região central, onde furtos têm sido recorrentes.

A reincidência sucessiva levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas aplicadas até agora e aponta para a necessidade de políticas públicas integradas. Especialistas defendem que, além da repressão penal, é fundamental investir em acompanhamento social, tratamento contra dependência química — quando for o caso — e programas de reinserção, para quebrar o ciclo repetitivo de crime e prisão.

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