Traficantes desafiam autoridades paraguaias, descarregam droga e escapam após interceptação

A falta da chamada Lei do Abate no Paraguai tem facilitado a atuação de organizações criminosas que utilizam o espaço aéreo do país para o tráfico internacional de drogas. Nesta sexta-feira (6), mais uma aeronave suspeita foi interceptada por aviões Super Tucano do Exército paraguaio, mas conseguiu escapar após descarregar uma carga de entorpecentes em uma pista clandestina.

Segundo informações das autoridades, o avião pousou de forma improvisada em uma fazenda na região de Capitán Bado, área próxima à fronteira com o Brasil. Mesmo após tiros de advertência disparados pelas aeronaves militares, o piloto não foi detido e conseguiu fugir do local. A carga, possivelmente de cocaína, foi deixada na pista e rapidamente recolhida.

A operação chamou a atenção pelo risco envolvido: a descarga da droga ocorreu a poucos metros de trabalhadores rurais que realizavam a colheita em uma lavoura de soja. Os fardos de entorpecentes foram retirados por homens que utilizavam caminhonetes, enquanto os aviões do Exército continuavam sobrevoando a área, sem conseguir impedir a ação dos traficantes.

O episódio ocorre poucos dias após outro caso semelhante. Na semana passada, uma aeronave com matrícula boliviana rompeu o cerco das forças militares paraguaias e pousou em uma fazenda em Porto Murtinho, já em território brasileiro. O avião foi parcialmente desmontado e retirado do local nesta sexta-feira (6), em uma operação conjunta da Polícia Federal, Polícia Militar e da Receita Federal, sendo transportado em um guincho até Campo Grande.

As autoridades paraguaias agora concentram esforços na identificação e prisão dos homens que receberam a droga em Capitán Bado. O caso é investigado em meio a críticas crescentes sobre a eficácia da interceptação aérea no combate ao narcotráfico. Militares apontam que a legislação vigente, que não autoriza o abate de aeronaves suspeitas, limita as ações repressivas e favorece a ousadia dos traficantes. A autorização de abate foi negada recentemente pelos congressistas paraguaios.

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