A vulnerabilidade da fronteira seca entre o Brasil e o Paraguai voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira (26/1), durante uma visita técnica realizada por uma comitiva do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e das forças nacionais de segurança pública. A agenda foi conduzida pelo setor de inteligência do Ministério Público e contou com a presença do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, além de autoridades do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).
Também participaram da ação o secretário-geral do CNMP, Carlos Vinícius Alves Ribeiro, e o procurador-geral de Justiça do MPMS, Romão Avila Milhan Junior. O objetivo principal foi mapear os desafios enfrentados na região de fronteira, marcada pela atuação de organizações criminosas transnacionais e por conflitos agrários, especialmente envolvendo comunidades indígenas.
A visita teve início com uma recepção estratégica promovida pelas equipes da Assessoria Militar do MPMS (Asmil), do Batalhão de Choque e da Força Tática do 4º Batalhão da Polícia Militar. Na ocasião, especialistas do Choque apresentaram um panorama detalhado da escalada da violência relacionada a conflitos indígenas, com destaque para os confrontos registrados recentemente nos municípios de Amambai e Antônio João.
Na sequência, a comitiva embarcou em helicópteros da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo (CGPA) para um sobrevoo tático com destino a Coronel Sapucaia. Do alto, as autoridades puderam constatar a fragilidade da linha divisória entre os dois países, onde, em muitos trechos, a separação territorial se resume a uma rua, o que dificulta a fiscalização e favorece a ação do crime organizado.
Em Coronel Sapucaia, o grupo foi recepcionado por tropas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). O debate ganhou contornos mais sensíveis ao abordar a atuação de facções criminosas que operam de forma integrada nos dois lados da fronteira. Um dos momentos mais simbólicos da visita foi o deslocamento terrestre até as proximidades da residência do conhecido “Barão de Escurra”, personagem recorrente no histórico do tráfico na região.
Durante a passagem da comitiva, também foram discutidas questões institucionais com o Procurador-Geral da República, como a extinção do Programa Proteger — iniciativa que mantinha coordenações regionais permanentes acompanhando operações nas fronteiras — e a transferência da unidade do Ministério Público Federal (MPF) de Ponta Porã para Dourados, ocorrida em 2020. Diante das demandas apresentadas, o PGR se comprometeu a encaminhá-las ao ministro da Justiça.
Além das autoridades do Ministério Público, participaram da ação diversas forças de segurança, entre elas o Batalhão de Choque, Bope, DOF, 4º BPM, Polícia Militar Rural e Ambiental, Batalhão da Polícia Militar Rodoviária e a 3ª Companhia da PM de Amambai. Na área de inteligência, estiveram presentes o GISP (Agepen) e o Centro de Inteligência do MPMS.
A visita reforça a preocupação das instituições com a complexidade da fronteira sul-mato-grossense e evidencia a necessidade de ações integradas para enfrentar o avanço do crime organizado e mitigar os conflitos que persistem na região.
