MP cobra atendimento especializado para crianças vítimas de violência em Antônio João e Aral Moreira

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul intensificou a atuação para garantir atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência nos municípios de Antônio João e Aral Moreira, na região de fronteira. A iniciativa foi conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Ponta Porã, que expediu recomendações formais aos gestores municipais para a adoção de medidas urgentes de proteção.

As orientações foram emitidas após análise das condições da rede de atendimento existente nas duas cidades. O objetivo é assegurar que os municípios cumpram integralmente a legislação nacional voltada à proteção da infância e da juventude, especialmente as normas que regulamentam o atendimento especializado em casos de violência.

Entre as medidas recomendadas estão a criação de estruturas adequadas para acolhimento das vítimas, capacitação de profissionais da rede pública e implantação de protocolos padronizados para garantir atendimento seguro, sigiloso e sem revitimização.

O Ministério Público também orientou a criação do Comitê de Gestão Colegiada e a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência.

Essas estruturas são consideradas essenciais para organizar a política pública de proteção, definir responsabilidades entre os órgãos envolvidos e estabelecer fluxos integrados de atendimento entre saúde, assistência social, educação, segurança pública e sistema de justiça.

A medida busca garantir que a escuta especializada ocorra em ambiente apropriado, conduzida por profissionais capacitados e em condições que preservem a integridade emocional das vítimas.

Medidas recomendadas para Antônio João

No município de Antônio João, a recomendação destaca a necessidade de criação de um espaço adequado para acolhimento e escuta especializada de crianças e adolescentes vítimas de violência.

O Ministério Público também orientou a capacitação contínua de profissionais das áreas de saúde, assistência social, educação e segurança pública, além da implantação de mecanismos formais para registro e compartilhamento de informações entre os órgãos da rede de proteção.

A Promotoria ressaltou ainda que a formação técnica das equipes é fundamental para garantir atendimento sensível e responsável, especialmente em casos de violência sexual.

Estrutura e integração em Aral Moreira

Para Aral Moreira, o Ministério Público recomendou o fortalecimento da Sala Lilás, espaço destinado ao atendimento humanizado de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A orientação inclui a garantia de ambiente reservado, equipado com materiais lúdicos e brinquedos, além da presença de profissionais treinados para conduzir a escuta especializada.

Também foi recomendado o fortalecimento da integração entre os serviços de saúde, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, escolas, Conselho Tutelar e Polícia Civil, com definição de protocolos que assegurem rapidez no atendimento e no registro das notificações obrigatórias.

Monitoramento das ações

Como parte do acompanhamento das medidas, o Ministério Público encaminhou ofícios às secretarias municipais e aos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, solicitando informações detalhadas sobre a estrutura atual da rede de atendimento.

Entre os dados requisitados estão registros de capacitações realizadas, funcionamento do Creas, atendimento de saúde às vítimas de violência, notificações obrigatórias e disponibilidade de profissionais habilitados para realizar a escuta especializada.

As informações serão analisadas pela Promotoria para avaliar o avanço das políticas públicas de proteção e identificar possíveis falhas ou riscos no atendimento à infância e à adolescência.

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